
Em 1944, o arquiteto Bernard Rudofsky apresenta nos espaços do MoMa em Nova York uma exposição, que mais tarde se torna um ensaio, intitulada com uma questão: “Are clothes modern?”. Essa semana a mesma pergunta pontuou o desfile da maison Dior no comando da designer Maria Grazia Chiuri.
Lá atrás, a exposição teve como objetivo entender as relações das pessoas com a roupa e o corpo no contemporâneo. Utilizando alguns artifícios como gráficos que mostram a quantidade de bolsos e botões no traje do homem da época, representações tridimensionais do corpo moldado pela roupa, simplificações do vestuário seja em sua modelagem ou construção, ele ambicionou considerar, compreender e destrinchar o que funcionava e o que precisava mudar junto com a modernidade.



Algumas décadas mais tarde, em 2017, o museu apresentou outra exposição (a única sobre roupas e moda depois de Rudofsky) com o mesmo ponto de partida: “Items: Is Fashion Modern?”. Segundo a curadora, Paolla Antonelli, o grande trunfo da moda depois da arte foi o design. Assim, pensar a moda moderna não é apenas refletir sobre as roupas, mas em todo o sistema que estamos inseridos, procurando entender quais as necessidades e prioridades do mundo moderno, como esses itens são desenhados, manufaturados e distribuídos – oi sustentabilidade! E para isto, é imperativo considerar as relações multifacetadas da roupa com a funcionalidade, cultura, estética, política, economia, o meio ambiente e tecnologia. O que usamos? Por que usamos? Como é feito? Qual o significado? São alguns dos questionamentos que a exposição provoca nos visitantes.


No desfile da Dior, Maria Grazia Chiuri faz da casa literalmente uma roupa, e utiliza do artifício de sua própria posição como diretora criativa de uma casa de alta costura para dar a sua visão de modernidade na moda. Assim, quis provar a Rudofsky que as roupas podem ser modernas a partir do momento que liberta quem as usa. Ao explicar para a revista i-D o seu propósito, diz: “Eu queria ilustrar que nós podemos fazer qualquer forma e qualquer construção que não causem esforço. Eu não quero essa ideia de que você é supérflua ou funcional, mínima ou decorada. É possível encontrar um equilíbrio nas contradições”.

Desta forma, com um pano de fundo com trabalhos da artista Penny Slinger, a designer delineia uma coleção sobretudo sobre o livre-arbítrio, feminismo e feminilidade, em que os opostos culturalmente determinados podem não ser tão opostos assim.
A minha dissertação é sobre moda e museus, logo esse assunto vai aparecer com alguma frequência por aqui. Essas foram algumas das minhas impressões, espero que tenham gostado, peeps! 🙂
